1
Assessoria de Imprensa Jornalismo

Já ouviu falar em CNV – Comunicação Não-Violenta?

Técnica desenvolvida pelo psicólogo e educador norte-americano, Marshall Rosenberg, agregou à comunicação o poder de mediar situações conflituosas

Durante a década de 1960, muitos conflitos políticos e sociais eclodiram no mundo. Listá-los renderia um texto inteiro só sobre os fatos históricos vivenciados mundo afora. Contudo, há – entre tantos outros – um ponto comum que pode ser citado aqui: o aprendizado. Cada situação, inserida em suas particularidades, rendeu não apenas desafios para a humanidade, mas também meio de superá-los. A comunicação, por sua vez, seria uma das ferramentas responsáveis tanto pela criação de entraves quanto pela dissolução dos mesmos.

Se pensarmos no período referenciado acima (1960), podemos nos lembrar, por exemplo, da segregação racial que se perpetuou nos Estados Unidos e resultou em conflitos violentos – física, psicológica e simbolicamente falando. A população afro-americana enfrentou os mais diversos tipos de ataques sustentados por estruturas – e instituições – com caráter desigual até que, enfim, teve seus direitos civis assegurados por conta de leis igualitárias aprovadas pelo congresso norte-americano. Inevitavelmente, todo este processo também teve a comunicação como ferramenta para lidar com a informação – e também formar a opinião pública sobre o assunto. Com a democracia avançando para uma realidade racial menos conflitosa, mais espaços começaram a abandonar o teor segregador, entre eles as escolas e universidades. Era preciso, então, rever as formas de educar e, consequentemente, de se comunicar.

Por uma outra comunicação

Marshall Rosenberg se formou em psicologia pouco tempo depois que as leis de direitos civis passaram a incluir a população afro-americana. Logo em seguida, iniciou os trabalhos como educador e buscou aplicar técnicas de comunicação que permitissem resultar numa “transição mais pacífica”, tratando-se do pensamento da sociedade naquele contexto. Por meio da fala, escrita e escuta, elaborou a metodologia que serviria de base para o conceito de “Comunicação Não-Violenta”, ou CNV.

Basicamente, o especialista ensinava como estabelecer um diálogo produtivo entre diferentes; entre formas de pensar diferentes; entre pessoas com realidades histórias e realidades diferentes. O foco era aplicar, de modo prático, técnicas de linguagem que evitassem exclusão, preconceitos e violência verbal, mantendo o caráter didático e empático. Como resultado disso, muitas organizações s instituições ligadas aos direitos humanos adotaram a Comunicação Não-Violenta como forma de atenuar as desigualdades colocando-as não como estopim para guerras e destruição, mas sim como uma maneira de conhecer o outro, entender o lugar do outro no mundo e, de modo conjunto, construir estratégias para lidar com dificuldades que afetam a todos e todas.

Jornalismo com responsabilidade

Ainda que tenha sido estruturada inicialmente sobre as bases da psicologia e educação, não há como desassociar a CNV da mídia em geral. Principalmente quando pensamos no jornalismo, principal mediador entre os fatos e informações cotidianas e a sociedade. Adotar técnicas de comunicação que não enfatizem conflitos já estabelecidos e proponham uma visão mais reflexiva e prática do que é apresentando se mostra mais efetivo do que simplesmente reproduzir discursos de ódio – que nada têm de semelhante com liberdade de expressão – como se estes fossem apenas um retrato da realidade.

Veículos de comunicação possuem responsabilidades diversas perante as tantas nações ao redor do globo. E isto está além – mas não acima – de questões éticas ligadas à prática. Lidar com informação é lidar com poder, em diferentes níveis, e isso pode gerar diferentes efeitos (para o bem ou para o mal). Cabe ao comunicador conhecer o maior número de técnicas possíveis para realizar a tarefa de suprir a necessidade de se comunicar que nos acompanha desde os tempos antigos. Adotar uma postura não-violenta é fazer jus à comunicação, afinal, ela nasceu da necessidade que temos de nos aproximar do outro. Que esta aproximação tenha sempre fins produtivos para ambos – ou todos – os lados.

Abaixo, uma introdução ao conceito de Marshall:

Recomendadas


Top